Queda de braço entre PF e Procuradoria paralisa parte da Lava Jato

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A queda de braço levou o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, a suspender nesta quarta-feira, 15, parte das diligências, a pedido da procuradoria, rejeitando a solicitação de prorrogar os prazos feita pela PF. Na visão de investigadores do Ministério Público houve um problema na “marcha” das investigações e será necessário agora um “freio de arrumação” antes de retomar o calendário de oitiva dos políticos.

Em meio ao desentendimento, houve uma conversa entre os chefes dos dois órgãos, o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Para atender ao pedido de Janot, Zavascki cita decisões do início de março, no momento da abertura dos inquéritos de políticos investigados na Lava Jato. Na ocasião, o ministro do Supremo apontou que o procurador era o “condutor incontestável das investigações”.

Para a PGR, a PF não está seguindo orientações para condução das diligências, como por exemplo, a ordem da tomada de depoimentos dos políticos. No total, o Supremo autorizou a abertura de 26 inquéritos no STF, que envolvem 50 pessoas. No entendimento da PGR essa “autonomia” da PF está prejudicando o andamento das investigações.

A PF ficou de divulgar uma nota oficial com seu posicionamento sobre o impasse. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse mais cedo que procuraria Daiello e Janot para discutir o assunto.

Entre advogados da Lava Jato, circulam rumores de que o senador Humberto Costa (PT-PE) teria procurado Janot e Cardozo para se queixar de maus tratos durante a prestação de esclarecimentos à PF, realizados há duas semanas. Costa negou nesta quinta, por meio de sua assessoria, que seja o motivo do estopim da divergência entre o MP e a PF. A assessoria do senador informou ao Estado que o encontro com Janot foi para pedir celeridade no inquérito contra ele e negou que tenha feito reclamações.

Consta na agenda de Cardozo da última quarta-feira, um encontro com Costa. Contudo, o petista disse que o encontro foi agendado para tratar de questões ligadas ao seu Estado de origem, Pernambuco, mas que a reunião acabou sendo cancelada. Parlamentares investigados têm se queixado de prestar depoimentos na sede da PF, em Brasília, onde se sentem mais expostos.

Fonte: Estadão