Atenção: ‘Elsagate’ é conteúdo impróprio disfarçado de contos de fadas

Atenção: ‘Elsagate’ é conteúdo impróprio disfarçado de contos de fadas

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Alerta vermelho para os pais que deixam filhos pequenos assistirem a desenhos e vídeos no YouTube: criadores mal-intencionados estão disseminando vídeos supostamente infantis, mas que escondem conteúdos explicitamente violentos e sexuais, incluindo cenas com agulhas, insetos, abuso, espancamento, aborto, escatologia e outros temas inapropriados para crianças. O fenômeno foi batizado por internautas de ‘Elsagate’ — em alusão à famosa personagem Elsa, da animação Frozen, da Disney; e ao escândalo político Watergate.

Alguns vídeos são animações que imitam personagens infantis, como super-heróis e princesas . Os vídeos estão no YouTube sem censura e são marcados por palavras-chaves infantis. Dessa forma, uma criança que entra para assistir um desenho normal pode acabar sendo levada a estes vídeos através da reprodução automática do site, que procura vídeos relacionados através das palavras-chave. Como o conteúdo vem disfarçado de infantil, os responsáveis pela criança podem não perceber o que está acontecendo logo de cara.

Especialistas veem ligação com redes de pedofilia

Até mesmo especialistas estão recebendo as informações com surpresa. Segundo Elaine Vidal, que é coordenadora de graduação em Comunicação do Ibmec e leciona Criação e Produção para Mídias Digitais na UFRJ, ao plagiar personagens patenteados, os vídeos violam direitos autorais e deveriam ser tirados do ar. “

Outros vídeos, por muito menos, são bloqueados pelo Youtube”, diz. Outro aspecto alarmante é que os vídeos não são monetizados — ou seja, as visualizações não geram receita para o autor —, e são muito bem produzidos, o que costuma custar caro. “Certamente é um objetivo assustador, se não é dinheiro. É bem provável que haja relação com redes online de pedofilia”, afirma Elaine.

Márcio Gonçalves, professor do Ibmec e especialista em mídias digitais, concorda: “São produtores de conteúdo que não têm interesse em ganhar dinheiro. O objetivo é transmitir mensagem a quem assiste”.

Ele lembra que o público não é só o infantil: “Os comentários provavelmente são escritos por adultos. A questão dos pedófilos é forte, uma comunidade que se protegem. Fica explícito que há relação com as redes de produção de conteúdo pedófilo e pornográfico”.

Para o professor Márcio Gonçalves, o mais importante é o monitoramento dos pais: “Essa infância conectada está tendo fácil acesso a conteúdos impróprios, que vão moldar sua personalidade”, avalia.

A psicológa Laura Calejon, doutora em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano, alerta para o perigo do uso da internet sem supervisão. “Há casos de crianças com graves problemas no desenvolvimento da linguagem, que chegam a ser confundidas com autistas, porque usaram tablet e celular demais e desde muito cedo”, afirma.

Sobre os vídeos Elsagate, especificamente, o perigo é ainda maior, segundo os especialistas no assunto. “Há imagens muito conflitantes, contraditórias. Sem dúvida os estímulos têm efeitos subliminares. E quanto menos compreensíveis forem, mais fortes são os impactos”, analisa.

Já sobre os objetivos dos produtores dos vídeos, ela concorda com os demais especialistas: “É possível que uma rede de pedófilos se valha disso, não é uma hipótese descabida”, acrescenta.

O principal, segundo a psicóloga, é que os pais acompanhem seus filhos com cuidado. “O audiovisual é importante no desenvolvimento da criança, mas é necessária a presença de um adulto que compartilhe com ela, vá ajudando, explicando o que ela pode não entender. Não dá para substituir a presença de um adulto por tecnologia”. Pais devem estar atentos ao conteúdo assistido pelos filhos sempre.

 

Fonte: O DIA